
E aí pessoal! Dando continuidade então à entrevista com a MegaDriver...
Para vocês, tocar música de videogames é algo financeiramente rentável? Vocês pretendem seguir nessa área?
(Nino) Nosso objetivo nunca foi esse, tocar para ficar famoso e ganhar muito dinheiro. Nunca pensamos em algo como "Nossa, vamos tocar a musiquinha do Mario e jogar no Youtube, ou tocar em algum lugar, para ficarmos famosinhos". A ideia é se divertir e realmente pagar tributo a algo que amamos muito: os games. Mas é claro que todos temos sonhos de poder ganhar a vida com o que amamos. Profissionalizar o MegaDriver por completo, é um sonho que todos na banda compartilhamos. Mas por enquanto, nosso projeto é financeiramente sustentado pelas apresentações ao vivo e doações feitas por fãs.
(Rubão) Seria um sonho pra mim. Parar de trabalhar e viver do Mega.
Como era o cenário da VGMusic quando vocês começaram a tocar e como é hoje (principalmente para as bandas)?
(Nino) No Japão tínhamos algo, como alguns álbuns da S.S.T, Konami e alguns "O.S.S". Mas praticamente não existia um cenário VGMusic. O cenário realmente cresceu com o surgimento das bandas independentes, meu antigo "nino.com.br", a MegaDriver, as americanas Minibosses e Neskimos, depois com websites que dão espaços a diversos músicos como OCRemix e VGMix. Hoje temos até projetos grandes, envolvendo os próprios compositores originais como a Play! e VGL. Até mesmo o Youtube ajudou. Muitos, influenciados por estes projetos, até mesmo sem saber, passaram a gravar e postar vídeos. No Brasil agora estão surgindo diversas bandas e, como disse, acho isso ótimo. Não enxergo "concorrentes", "plagiadores" ou coisas do tipo. Quanto mais bandas tocarem VGMusic, melhor! Mais todos ficamos conhecidos, mais difundimos a VGMusic, maior é o nosso tributo aos games! Então, fica aqui meu incentivo às demais bandas: VAMOS TOCAR VGMUSIC!
Vocês acreditam que, hoje, as pessoas têm mais contato com bandas que tocam VGMusic, eventos, etc, ou ainda é preciso maior divulgação?
(Rubão) As pessoas que gostam de VGM têm um contato bom, sempre é a galera que está na internet. Revirando achando um projeto, procurando um evento onde se reúnam esses fãs de games e coisas do gênero. Porém, ainda é algo um pouco mais restrito àquela galera mais geek do Brasil. Mas isso é algo que não tem como fugir, quem vai gostar disso é essa galera, geek, nerd, otaku das ideias. O grande meio de divulgação é a internet mesmo, pois é a mídia que esse pessoal tem uma interação maior. Não vou dizer que jamais veremos uma banda de VGMusic no Faustão... O que seria legal demais de acontecer.
Vocês pretendem chamar um baterista para a banda? Acham que alguém com experiência em percussão poderia contribuir melhorando a qualidade da produção, humanizando mais as melodias em vez da bateria eletrônica?
(Nino) O fato de às vezes utilizarmos técnicas eletrônicas, como triggers, pads, etc., é exatamente para facilitar o processo de produção e atingir maior qualidade no processo de gravação da bateria. Esta é uma prática comum em bandas com levadas muito rápidas na bateria. Um bom exemplo disso, bem lembrado pelo Ricardo, é o Tomas Haake, do "Meshuggah", que nem ao menos sentou na bateria para alguns álbuns, como "Catch Thirty-Three" e "Nothing", utilizou o tão popular na Internet "Drumkit From Hell", e nem por isso deixa de entregar música de qualidade, nem tão pouco deixa a desejar nas apresentações ao vivo. Não pensamos em "chamar um baterista para a banda" porque já temos um de excelente qualidade, que nos representa da melhor forma, tanto em estúdio quanto ao vivo.
(Rubão) Jeff faz um trabalho excelente. Toca tudo perfeitamente bem e, na minha opinião, exatamente como nos sons de estúdio. O lance das técnicas eletrônicas, como o Nino falou, é apenas uma questão de facilitar as gravações.
Vocês têm vontade de experimentar alguns gêneros próximos do metal, talvez indo pra músicas mais melódicas, lentas e líricas ou mesmo a inclusão de outros instrumentos?
(Nino) Nas músicas da MegaDriver, o mais próximo que pensamos é inserir letras em algumas músicas. Mas como coisas do tipo podem fugir do contexto principal, geralmente são deixadas de lado.
O que a banda acha do cenário da VGM no mundo e no Brasil. O que acham das outras bandas e quais conselhos dariam pra quem está seguindo nesse caminho?
(Rubão) VGM is not dead. =D E quanto a quem quer começar sugiro que faça algo que realmente goste e tenha muita perseverança.
(Nino) Como já foi dito antes, acho fantástico o surgimento de outras bandas e afirmo que elas têm meu incentivo. Meu conselho é não saírem do foco principal: Pagar Tributo. O importante é tocar pelo amor aos games, não por "modinha", pela "faminha" e afins. Tocar o que gosta, porque gosta, isso é o importante.
Qual foi a maior dificuldade que a banda já passou?
(Nino) O que hoje parece extremamente fácil: Encontrar outros músicos que estivessem dispostos a tocar música de games.
Então é isso! Espero que tenham gostado do bate-papo e muito obrigado aos meninos da Mega pela contribuição! Valeu!
Confiram a 1ª parte da entrevista


















