8 de julho de 2009

História da game music - 4ª parte

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As músicas marcantes dos consoles de terceira geração

Em 1983 começaram a surgir os consoles da terceira geração (8 bits), como o Famicom, o Master System e o Atari 7800.

O Famicom (de "Family Computer") foi lançado em 83 pela Nintendo e foi um dos seus consoles mais famosos. No entanto, ele ficou popular dois anos depois, ao ser lançado no mundo com a sigla NES, de "Nintendo Entertainment System". O Famicom possuía um processador Motorola 6502 e um sistema de som com 4 canais de síntese e outro capaz de gerar sons digitais simples em PCM. Ele simula 4 “instrumentos”: um baixo, duas guitarras e uma bateria.

“Conforme foram sendo lançados outros consoles que possuíam muito mais canais de áudio, o NES tentou se manter competitivo no mercado acrescentando nos cartuchos um chip extra que melhorava um pouco os gráficos e aumentava o número de canais de som”, afirma Meneguette em seu artigo.

Famicom

Neste mesmo ano foi lançado no Japão o MSX, um computador pessoal que fez sucesso no Oriente e nos Estados Unidos. O chip de som dele era similar ao do Colecovision e do Sega SG-1000, um General Instrument AY-3-8910 (PSG) com 3 canais de som e um de ruído (noise).

Em 1984 a gravadora Yen lançou o primeiro álbum de game music. Ele trazia as faixas originais de vários jogos da Namco, como Pole Position, Xevious (1982), Pac Man, New Rally X (1981), entre outros. A estreia oficial do álbum aconteceu no mesmo ano, quando Haruomi Hosono, da YMO, produziu uma coletânea de músicas dos games da Namco. Ele afirmou que era fã de Xevious. Dessa forma foram lançados, em 25 de abril de 1984, uma fita cassete e um LP intitulados “Video Game Music”, com as músicas originais de Pac Man, Xevious, Mappy (1983), Bosconian (1981), Galaga (1981) e outros.

Álbum Video Game Music

O ano de 1985 marcou o nascimento de Super Mario Bros. e a popularidade do NES (lançado mundialmente neste ano). O game é um dos mais famosos do mundo até hoje. A música foi criada por um compositor profissional, Koji Kondo, e é considerada uma obra prima, apesar das limitações que o sistema impunha ao músico. Este ficou famoso posteriormente por ter elaborado outras belas composições para jogos.

Koji Kondo

As músicas e os efeitos de Super Mario Bros. inauguraram uma era de novidades em relação ao áudio para games. Longe das convenções cinematográficas, o jogo criou algo novo, especialmente por causa de seus sound symbols. Eles indicam, a cada momento, o status do jogador, como “está acabando seu tempo”, “você está imune”, “você ganhou”, “você perdeu”, etc. Se jogar o jogo sem som, você perde esses sinais.

Em 1985, o computador PC-8801, lançado em 79, ganhou uma placa de som com a série PC-8001mkIISR. Uma geração de fãs de música pôde aprender a programar músicas no novo PC, para depois enviar às revistas especializadas. Aqueles que hoje são grandes nomes da game music, como Yuzo Koshiro, são dessa geração. O PC-8001mkIISR possuía um processador de som Yamaha YM-2203, de 8 bits.

Na metade da década de 80 houve uma grande onda de lançamentos de jogos que tinham música composta por pessoas com mais experiência musical. Essas pessoas passaram a estudar os videogames, criando composições complexas de acordo com o tema do jogo. A qualidade das composições avançou muito, tanto que essas músicas são populares até hoje. Entre os compositores que ganharam fama com músicas compostas para esses jogos são Koji Kondo (Super Mario Bros., The Legend of Zelda, 1987), Koichi Sugiyama (Dragon Quest, 1986), Rob Hubbard (Monty On the Run), Hirokazu Tanaka (Metroid, 1986, e Kid Icarus, 1988), Martin Galway (Times of Lore, 1988), Hiroshi Miyauchi (Out Run, 1986), Nobuo Uematsu (Final Fantasy, 1987).

Outro computador lançado em 1985 foi o Commodore Amiga. Ele foi desenvolvido em 1982, mas só chegou ao mercado três anos depois, quando foi comprado pela Commodore International e vendido como sucessor do Commodore 64. O Amiga teve vários modelos, mas o som permaneceu o mesmo em todos. Todo seu sistema era muito avançado para a época. O chip de som, apelidado de “Paula”, suportava 4 canais de som estéreo. Porém, com um truque de programação ele podia ampliar sua capacidade para 8 canais. Ele permitia executar samples de sons pré-gravados, armazenados em memória. Esses samples podiam ser de um instrumento real ou de um som desejado em uma qualidade e fidelidade significativamente mais altas do que a de anos atrás.

Os arquivos utilizados no Amiga eram em formato MOD (utilizado principalmente para representar música. Ele contém um conjunto de instrumentos na forma de amostras e uma série de padrões indicando como e quando as amostras devem ser tocadas). De acordo com Karen Collins, esse formato possibilitou mais sons, que por sua vez eram mais realistas e fáceis de manipular pelos programadores que não eram músicos. O formato foi bastante usado nos games do Amiga do início da década de 90 como Shadow of the Beast (1989), Turrican 2 (1991) e Laser Squad (1988).

Commodore Amiga

A fim de competir com a Nintendo nos consoles de 8 bits, a Sega lançou o Master System em 1986. Mesmo superior ao NES em relação aos gráficos e ao som (já que foi lançado anos depois), ele não fez tanto sucesso no mercado norte-americano e japonês porque nessa época o Nintendo já tinha uma base sólida de consumidores e contratos exclusivos com algumas produtoras de jogos. O chip SN76489, da Texas Instrument, proporcionava 4 canais de som mono no formato PSG, que tinha a característica de soar muito vibrante e metálico aos ouvidos. Nessa época surge o mascote da Sega, o Sonic, para concorrer com o famoso personagem da Nintendo, o Mario.

Master System

Outra empresa que queria entrar na briga e restabelecer sua supremacia era a Atari, lançando, no mesmo ano, o Atari 7800, desenvolvido para substituir o Atari 5200, que foi um fracasso de mercado. Com um processador trabalhando em uma velocidade superior aos rivais, e com um processador de áudio de dois canais separados, o Atari 7800 possuía um desempenho superior em velocidade ao NES e gráficos e sons de qualidade similar ao Master System. Porém, o que decretou o fracasso do Atari 7800, mesmo sendo superior aos concorrentes, foi o baixíssimo acervo de jogos.

Atari 7800

Como sucessora da Yen, surgiu a Game Music Organization (GMO), em 86. Tratava-se de um selo dedicado a lançar exclusivamente álbuns de game music. A explosão desse tipo de música se deu neste ano, com o lançamento de dezenas de álbuns contendo músicas originais, arranjadas e vocais de jogos da Namco, Konami, Nintendo, Hudson, Capcom, Tecmo, Enix, Imagineer, Falcom e Sega.

O ano de 1987 marcou o nascimento de The Legend of Zelda (Nintendo) para o NES, outro dos jogos mais famosos da empresa, juntamente com Super Mario Bros. e Metroid. Suas músicas fizeram e ainda fazem sucesso, tanto que podem ser encontradas na web em diversos formatos, como MP3 e MIDI.

Também em 87 foi lançado Final Fantasy, para o NES, no Japão. Suas músicas foram compostas por Nobuo Uematsu, um dos maiores nomes da VGMusic de todos os tempos. As composições para esta série são consideradas verdadeiras obras primas até hoje, mesmo com as limitações que o sistema impunha ao compositor.

Nobuo Uematsu

O primeiro concerto de game music aconteceu neste ano, organizado pelo compositor Koichi Sugiyama. O evento trouxe as faixas de Dragon Quest I (1986) e II (1987), lançadas no CD Dragon Quest In Concert (1987).

O game Ancient Ys Vanished Omen, ou simplesmente Ys, para o computador PC-8801mkIISR, foi lançado também em 87. Suas músicas foram compostas por Yuzo Koshiro, um jovem de 20 anos, recém empregado pela empresa Falcom. Mesmo com as limitações do sistema, Koshiro criou belas composições, conquistando não só fãs de videogames e game music, mas também fãs de música, especialmente a eletrônica. No mesmo ano, a música de Ys saiu dos cartuchos de videogame para ganhar um álbum próprio, lançado em CD, LP e cassete.

Yuzo Koshiro

As limitações do computador MSX nessa época não agradavam a empresa Konami, que passou a incluir um chip de som Yamaha em seus cartuchos. Era o SCC (acrônimo pra Sound Custom Chip, ou Sound Creative Chip), que possibilitava ao computador usar 5 canais que, funcionando junto com os 3 canais de som normais do MSX, faziam 8 canais de som, e as músicas ficavam muito boas. Os primeiros jogos a receber este chip foram Nemesis 2 (1987) e F1 Spirit: The Way To Formula 1 (1987). Uma versão melhorada do SCC, o SCC+, permitiu músicas com mais reverberações e distorções.

Na próxima quarta-feira vocês irão conferir como se deu o salto em qualidade das músicas na quarta geração de consoles. Até lá!

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1 comentaram e ganharam pontos:

Alexo Maravalhas disse...

Realmente uma época gloriosa da arte musical eletrônico-interativa. Como eu sempre fui mais ligado ao universo dos computadores pessoais do que dos videogames, acabo podendo comentar melhor apenas a respeito destes, pois os VGs eu só fui conhecer bem depois da sua época original ou os emulados.

No Brasil, salvo engano meu, o primeiro computador com música foi o CP-400, da Prologica. Muito marcante, pois eu sou da época em que computadores não emitiam som nenhum (CP-200). As músicas do 400 (TRS-Color, lá fora) eram bem parecidas com de um órgão de igreja, sem a reverberação! rs Depois teve o ZX Spectrum (aqui vendido como TK 95), mas esse eu pulei pra ir direto pro MSX.

O universo dos MSX era gigante, fantástico. No final da postagem, você comentou do chip de som da Konami, né? Soubesse as gambiarras que faziam por aqui pra ouvirmos isso ao vivo! rss Que seja, as músicas ficavam um espetáculo à parte com ele. Só faltou comentar do cartucho de expansão FM-PAC, com outra sonoridade, mas que fazia também o papel de melhorar essa capacidade dentro da arquitetura MSX (o FM não era "preso" aos cartuchos de jogos, como o SCC, da Konami).

A época do Amiga, sonoramente, é absurda. Embora aparentemente pouca flexibilidade, apenas 4 canais, o resultado do potencial desse computador foi "embasbacante". Não só sonoro, né? Esse micro era um "show", em muitos sentidos. Não era tão "amigável" quanto MSX, muitos jogos eram rasos, típicos de arcade (rápidos, objetivos, secos). Vale reforçar ótimas faixas nas trilhas do Shadow of the Beast e do Turrican, que você citou. Ah, vale também lembrar do computador similar Atari ST, com processamento de som tão bom quanto, embora um pouco menos popular por aqui.

Um abraço.

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