9 de julho de 2009

Entrevista com Rodrigo "Cheba" Nepomuceno


Olá pessoal! Em uma das minhas últimas postagens, onde falo sobre a exposição Gameplay, escrevi sobre o evento que acontece paralelamente, o GameMusic. Ele reúne alguns nomes da chipmusic no Brasil (que confesso a vocês que não conhecia). Bem, lendo um pouco sobre esses projetos, resolvi que tentaria conversar com as “mentes” por trás das ideias para trazer para vocês mais informações sobre esses trabalhos.

Hoje trago uma entrevista com Rodrigo “Cheba” Nepomuceno, nosso conhecido guitarrista da 8 Bit Instrumental. Além de tocar na banda, ele ainda é produtor musical e toca projetos como da Chiptots (que estará no evento GameMusic), da Chamber Café Orchestra e do Pluie. Confiram abaixo a entrevista:

Fale um pouco sobre você, como iniciou na música e no quê trabalha atualmente:
Bom meu nome é Rodrigo Nepomuceno sou conhecido na minha cidade como “Cheba”. Iniciei meus estudos em música com 12 anos de idade tocando guitarra com uns amigos do bairro e com uns professores locais. Nessa época tive algumas bandas, mas nada muito sério. Mais tarde decidi que queria fazer faculdade e tentar seguir o caminho da música como meio de vida. Iniciei então os estudos no violão, pois em minha cidade (Uberlândia) a Faculdade não oferece curso de guitarra e violão era o instrumento mais próximo, o que acabou de certa forma sendo bom. Bom, durante o curso conheci os integrantes do que hoje é a 8 Bit Instrumental. Na faculdade tive alguns projetos musicais que acabei levando até hoje na medida do possível. Entre eles estão o A Season in Hell, o Pluie, o Cultgaming e o Chamber Café Orchestra que era uma versão pré concebida da 8 Bit Instrumental. Também participei de diversas atividades relacionadas ao violão durante a faculdade. Atualmente estou começando no ramo de produção musical, e venho produzindo diversos grupos musicas em minha cidade, alguns deles estão no site http://chederrecords.com/

A ChederRecords é de sua propriedade? Conte um pouco sobre ela e quem participa:
Então o ou a ChederRecords é uma proposta de selo musical para divulgar algumas bandas locais. A ideia vem sendo gerada há algum tempo e finalmente ano passado tive a iniciativa de fazer um site e tornar a coisa toda um pouco mais formal.

Em quais bandas você toca atualmente? Conte um pouco sobre elas:
8 Bit Instrumental (Video Game Music) - Iniciou em meados de 2006 com a proposta de fazer releituras de trilhas sonoras clássicas de videogame.
CultGaming (Video Game Music) - Arranjos que faço sozinho, que não vão ser executados pelo 8 Bit Instrumental.
A Season In Hell (Death Prog Metal) - Teve início em meados de 2004 e atualmente inicia a gravação do primeiro álbum completo.
Pluie - A banda nasceu de conversas que tenho com alguns amigos sobre música, filmes e coisas afins. Não tem um estilo definido e a cada EP uma experiência nova é feita.
Chiptots (Rock com Chiptunes e outros estilos) - Atualmente tem um álbum completo e mais 2 EP’s.
Chamber Café Orchestra - É um projeto que venho trabalhando há muito tempo, basicamente em um estilo meio Background Music.

Musicalmente falando, quais são suas influências?
Então, acho que depende do que eu for fazer. A coisa mais complicada que eu percebo hoje em dia é a falta de senso estético na produção musical em geral, por exemplo, não é porque você tem influência de rock progressivo que tudo que você for fazer tem que soar como tal. Mas tenho influências de muita coisa e tento achar o que mais cabe ao projeto que estou participando, e fazer o melhor dentro de uma proposta definida.

Li que você tem pesquisas nas áreas de trilha sonora para cinema, TV e videogame. Fale um pouco sobre essas pesquisas e o que concluiu:
Durante o curso de música como TCC fiz uma pesquisa no campo da trilha sonora para cinema intitulada “Formas de Tratamento Musical na Trilha Sonora para Cinema”. O trabalho consistia basicamente em análises de trechos musicais para cenas específicas, fazendo uma análise de como a música dialoga com a imagem.

As músicas da Chiptots são próprias ou são mixagens de músicas pré-existentes? As letras são próprias?
Tirando o EP Chipt Goes Pop, que é um trabalho de releituras de músicas do mundo Pop, o restante são todas músicas autorais. O primeiro EP, intitulado Chiptots, saiu ano passado e tinha uma proposta de explorar as cores de uma maneira poética, então cada letra e a música tentava expressar uma cor, como Billy (azul) ou Chloro Cross (verde). Já o último álbum, “l.i.g.u.e.o.s.p.i.x.e.!.s”, trata de um momento conturbado para mim e as letras falam basicamente dessa época.

Quando e como foi que você decidiu unir a música com os videogames?
Bom, pra mim foi uma coisa natural, eu tenho videogames desde que nasci. Meu pai tinha um Telejogo, logo comprou um Atari 2600 e depois o NES e por aí foi. Inicialmente era mais uma busca nostálgica de relembrar aquelas músicas dos jogos de minha infância, mas depois
comecei a ver como uma perspectiva de campo de pesquisa.

O que você acha do cenário da game music no geral?
No Brasil temos algumas bandas, mas não é um cenário forte, temos grandes fãs de Game Music em nosso país, o que é comprovado todos os anos com a vinda do Video Games Live. Mas acredito que nos Estados Unidos há uma cultura muito mais forte ligada a Game Music, principalmente na cena Chiptune que no Brasil é quase inexistente.

Quais são suas bandas e compositores preferidos de game music?
Eu não gosto muito de bandas de Game Music mais de compositores mesmo. Em tudo que tem que se falar que algo é melhor que outro pra mim é complicado, então apenas deixo como sugestões alguns compositores: Jesper Kid, Kenji Yamamoto, Yumiko Kanki, Minako Hamano, Michiru Yamane, Yuukichan’s Papa, Akira Yamaoka, Koji Kondo. É uma lista meio longa, mas basicamente os compositores que fizeram parte da era NES.

1 comentaram e ganharam pontos:

André disse...

Só pra constar: a cena chiptune no Brasil ainda é pequena, mas longe de ser "quase inexistente". Prova disso é o coletivo/netlabel Chippanze, que está no ar há apenas dois meses e já teve boa repercussão, sendo tema de entrevistas e matérias. Inclusive, alguns novos colegas acabaram partindo pra produção de chipmusic incentivados pelo site e pelo GameMusic, que fez um primeiro contato com os artistas do selo.

Contato e intercâmbio é tudo! :)

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